Segundo a polícia, tumulto começou após um torcedor comercialino disparar um rojão contra botafoguenses, mas que acabou atingindo a viatura da Força Tática
No mínimo três pessoas ficaram feridas após o clássico Come-Fogo de sábado (3), no estádio Palma Travassos. Um garoto de cinco anos, um adolescente de 17 e mais um torcedor de aproximadamente 20 anos, foram atingidos por balas de borracha, disparadas por policiais da Força Tática.
A confusão começou por volta das 20h50, na saída dos comercialinos pelo setor das arquibancadas, na Avenida Maria de Jesus Condeixa.
Um dos atingidos foi o menino W.K.G.S, de cinco anos, que estava com o pai, José Jair Gomes dos Santos, de 49 anos. Ele foi atingido no braço esquerdo e chegou a ficar desacordado no local, antes de ser socorrido por policiais da ronda escolar.
"Eu sempre saio do estádio 15 minutos depois para ser mais tranqüilo. Meu filho quis comer um espeto de queijo e enquanto esperávamos, os policiais da Força Tática começaram a atirar e acertou nele", afirmou José Jair.
Ele também disse que não levará mais o filho a um estádio de futebol. "Não trazia ele há três anos no estádio e depois disso nunca mais trago", lamentou.
A criança foi levada a UBDS do Castelo Branco e após atendimento médico compareceu com os pais no 1º Plantão Policial para registrar um boletim de ocorrência. Não houve fratura no braço e o menino passa bem, mas passará por mais exames posteriormente.
Outro torcedor atingido foi o jovem M.J.K.S, de 17 anos. Morador de Penápolis (SP), ele viajou cerca de 300 quilômetros com o pai e também confirmou a versão dada pelo pai da criança. "Eles atiraram para onde estavam virados e pegou primeiro na criança, ainda atiraram pelas costas de um rapaz e depois no meio da multidão, que acabou pegando na minha mão", disse ele, mostrando a mão esquerda machucada.
Um outro rapaz conhecido apenas como Frank, aparentando ter cerca de 20 anos, estava com um ferimento profundo nas costas, mas não quis gravar entrevistas.
Confrontos
Policiais da Força Tática presentes ao 1º Plantão Policial, disseram que houve confronto entre botafoguenses e comercialinos no balão da Praça Aristóphanes Prudente Corrêa, a cerca de 500 metros de onde houve os disparos.
O pai da criança contesta a alegação e diz que no ponto que seu filho foi atingido, não havia torcedores do Botafogo. "Não tinha confronto naquele local, não havia nenhum torcedor botafoguense ali", confirmou. Testemunhas no local dos disparos também confirmaram que não havia confronto entre torcedores, naquele ponto do estádio.
Distorções
Outro ponto que não confere, é a quantidade de disparos efetuados pelos policiais, que consta como sendo apenas um, no boletim de ocorrência. Porém, a reportagem do A Cidade constatou três pessoas com ferimentos de tiros no local, além das cápsulas deflagradas.
Lado policial
Em boletim registrado no sábado (3), às 21h41, o Sargento Dias, um dos integrantes da Força Tática, disse que viu Carlos Henrique do Carmo Baglioni, de 20 anos, atirar um rojão contra a torcida botafoguense, mas que acabou acertando a viatura policial.
No momento que tentavam deter o jovem, alguns torcedores comercialinos atiraram pedras e latas de cerveja contra os policiais, motivo pelo qual ele efetuou apenas um disparo contra os torcedores. A viatura não sofreu danos.
Foi instaurado inquérito, para avaliar se houve excessos dos policiais militares da Força Tática.
Fonte: Jornal a Cidade
0 comentários :
Postar um comentário